
A discussão sobre incentivos tributários e crédito público voltou ao centro da agenda econômica brasileira.
Em um cenário de Reforma Tributária, pressão fiscal, juros elevados e necessidade de retomada dos investimentos, benefícios fiscais precisam ser avaliados com mais critério.
A questão não é apenas quanto o Estado deixa de arrecadar, mas quem recebe esses incentivos, com qual finalidade, mediante quais compromissos e com quais resultados.
Estudo publicado pela Fundação Dom Cabral, no âmbito da iniciativa Imagine Brasil, aponta que incentivos precisam estar associados a dados, objetivos claros e contrapartidas mensuráveis.
Benefícios fiscais têm impacto relevante
Segundo o estudo, a redução de arrecadação com benefícios tributários pode chegar a R$ 620,8 bilhões em 2026, equivalente a 4,53% do PIB projetado.
Já a Dirbi reúne informações sobre 88 benefícios, que somaram R$ 396,9 bilhões declarados por mais de 560 mil empresas entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2025.
Esses números mostram que os incentivos fiscais influenciam margens, cadeias produtivas, investimentos e competitividade.
Por isso, não basta analisar o volume concedido. É necessário avaliar o retorno econômico e social produzido.
Incentivos sem controle podem gerar distorções
O estudo identifica possíveis desequilíbrios na distribuição dos benefícios.
Incentivos voltados à inovação, por exemplo, podem se concentrar em setores que já possuem elevada capacidade financeira. Também há questionamentos sobre a concentração de benefícios na Zona Franca de Manaus e sobre a relação entre a desoneração da folha e a geração efetiva de empregos.
Em 2024, a desoneração da folha representou cerca de R$ 21,5 bilhões em renúncia tributária.
A mensagem é clara: sem avaliação de impacto, o benefício fiscal pode deixar de funcionar como instrumento de desenvolvimento e se transformar em uma política de baixa eficiência.
Crédito público também exige estratégia
A mesma lógica vale para o crédito público.
Os desembolsos do BNDES chegaram a R$ 140,2 bilhões em 2024, mas apenas R$ 5,8 bilhões estavam diretamente ligados a projetos de inovação.
O dado reforça a necessidade de alinhar financiamento público, política industrial, inovação e resultados mensuráveis.
A Reforma amplia a necessidade de governança
Com a Reforma Tributária, créditos, incentivos e regimes especiais tendem a ficar mais expostos à análise de eficiência, documentação e impacto econômico.
Empresas precisarão organizar dados, comprovar fundamentos e garantir rastreabilidade.
Sem controle, um benefício pode se transformar em risco fiscal, financeiro e operacional.
Na Vocare Tax, entendemos que governança tributária vai além do cumprimento de regras.
Incentivos, créditos e ativos tributários precisam ser analisados com método, lastro, documentação e rastreabilidade.
Com governança, benefícios fiscais podem gerar eficiência, competitividade e segurança.
Sem ela, o que parece vantagem pode se transformar em exposição.
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Vocare Tax
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